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Sobre dólar e ouro: pandemia, Afeganistão e EUA

A pandemia junto com a ascensão do Talibã e a imagem prejudicada da política externa norte-americana influenciou a volatilidade do dólar. O ouro está em recuperação.

 

Em 2020, o mundo deu de cara com um novo inimigo: o coronavírus. Quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a doença como uma pandemia, os costumes, discussões e políticas mudaram. Democracia, liberdade de expressão, negacionismo e outros debates dentro da esfera pública surgiram. Com isso, aumentou a discussão a respeito de paz, amor, censura e ditadura. Isso, claramente, não aconteceu apenas no Brasil, mas no mundo todo. Nos Estados Unidos, onde tudo o que acontece influencia o planeta, essa discussão também esteve presente. O ex-presidente americano, Donald Trump, sofreu uma forte pressão por parte do seu povo. Alguns o acusavam de negacionismo, charlatanismo e produtor de fake news. 

As críticas a Donald Trump não se resumiram apenas à crítica crise sanitária que assolava o mundo e que deixou mais 400 mil, mas também aos seus ataques racistas e acenos a extrema-direita. Parte do mundo olhava torto para Trump. Quando a taxa de desemprego havia diminuído em 2017, por conta da gestão de Barack Obama, ela voltou a subir por causa do descontrole da pandemia. Em fevereiro de 2020, o índice de desemprego estava em 3,5%. Logo depois, atingiu a máxima histórica com 14,7%. Além disso, a reforma fiscal realizada em 2017, aumentou a dívida do país e também seu déficit fiscal em 26%. Esse déficit chegou próximo a um trilhões de dólares. Embora a economia americana não esteja em cheque, sua política externa está frágil. 

Inflação do dólar

O professor e economista, Wilhelm Eduard, comenta que a volatilidade do dólar está assim por causa da inflação. É possível ver isso como resultado de um efeito dominó, que tem como uma de suas causas o desemprego e a crise no Afeganistão. “O problema dos Estados Unidos tem sido a ameaça inflacionária que está fazendo com que o Federal Reserve tenha mudado a estratégia de tapering, que é a compra de títulos dos bancos para injetar recursos na economia. Este processo está chegando a um esgotamento (…) esgotamento tem a ver com a taxa de desemprego nos EUA. Isso acaba resultando em inflação (…) a instabilidade política no Afeganistão e a crise humanitária tem impacto sobre África e Oriente Médio, porque é um sinal de fragilidade da política externa americana.” comentou. 

A retirada das tropas dos Estados Unidos começou antes de sua saída total deste ano. Isso porque, em 2020, Donald Trump já tinha concordado que houvesse uma redução de soldados no país. E caso o Talibã mantivesse seus compromissos, a retirada total das tropas ocorreria em maio de 2021. O atual presidente, Joe Biden, anunciou a saída dos soldados em abril deste ano, e concretizou a retirada há poucas semanas. Foi tempo o suficiente para o grupo extremista tomar o poder no Afeganistão. O terror se instaurou no país. As imagens de pessoas se acumulando no aeroporto de Cabul rodaram o mundo. Além disso, houveram imagens das mulheres com seus jogando seus filhos pequenos para tropas americanas que vieram fazer a retirada de turistas no país. Vale lembrar que as mulheres perderam seus direitos por lá.

Mas como o Afeganistão afeta isso tudo?

Com tudo isso acontecendo, o presidente Biden ressaltou que não voltará com as tropas ao país. “Não lutaremos uma guerra que os afegãos não querem lutar” falou o presidente. Dessa forma, Eduard ressalta esse aspecto da atual política americana. “Os EUA não estão dispostos a frequentar ocupações territoriais de maneira limitada a qualquer custo. A percepção dele do terrorismo não necessariamente você cessa afastando o Talibã. O Talibã continuou funcionando, continuou existindo, continuou operando, continuou tendo recursos milionários. Isso mostra uma certa fragilidade externa americana.” disse o professor.

É importante lembrar que a Rússia e a China também possuem interesses no território do Afeganistão, sobretudo na nova rota da seda. É nesse local que o petróleo do Irã caminha em direção a China. Com o país fazendo divisa entre esses dois países, é a estratégia ideal para um abastecimento garantido de petróleo. O economista ressalta que a figura do ouro tem importância nesse setor, já que quando há um problema de volatilidade de ativos, há uma fuga para ativos reais, como imóveis e ouro.

Vamos lembrar que o ouro está em uma breve recuperação com tudo isso. Em agosto passado, ele atingiu um pico de US$ 67 mil, mas com a abertura da economia, ele despencou para US$57,2 mil. No entanto, até duas semanas atrás, o ativo se encontrava em um patamar ainda menos favorável, ao bater na casa dos US$ 55 mil. Mas, com a crise humanitária e a disseminação da variante Delta do coronavírus, o ativo se encontra na casa dos US$ 57,3 mil.

 

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